Laudi Cardoso

Embora com apenas 55 anos de emancipação, Balneário Camboriú traz uma trajetória rica desde o século passado. 

Vida agitada, orla totalmente ocupada por arranha-céus incríveis, modernidade a perder de vista. Faltam adjetivos e expressões para descrever Balneário Camboriú. 

A cidade consolida seu nome como um dos grandes destinos do litoral catarinense e também um dos melhores roteiros turísticos de todo o País.

Localizada no Vale do Itajaí, atualmente ocupa uma área de 46 km2, a 18 metros de altitude e faz divisa com os municípios de Itajaí, Camboriú e Itapema.

Para quem vem de Estados como Paraná ou Rio Grande do Sul, obrigatoriamente tem que acessar a BR 101 para chegar ao litoral catarinense. Para aqueles que preferem ir de avião para visitar Balneário Camboriú depara-se com duas opções: o Aeroporto Internacional de Navegantes – o menos distante – ou Aeroporto Internacional Hercílio Luz, localizado na Capital Florianópolis.

Como uma cidade cosmopolita que respira inúmeros costumes e culturas em um curto espaço, é até possível pensar que Balneário Camboriú pouco tem raízes e histórias para contar. Mas pelo contrário. 

Apesar dos seus jovens 55 anos, Balneário Camboriú acumula uma trajetória rica, que carrega uma cultura local que vale a pena ser contada e compartilhada. 

É exatamente isso que você acompanha no artigo de hoje. .

O Distrito da Praia que virou município

A data de emancipação de Balneário Camboriú em 20 de julho de 1964. A cidade foi desmembrada de Camboriú, município vizinho que está localizado a aproximadamente 7 km e que pertenceu a Itajaí até 1884.

O livro Balneário Camboriú e Camboriú: história de duas cidades, do historiador Isaque de Borba detalha bem o período que antecedeu a emancipação. Pesquisas apontam que em meados da década de 50, a Praia de Camboriú começou a receber um número muito significativo de “veranistas” para a época.

Paralelo a isso, também ocorreu um aumento absurdo no aumento de construção de casas na localidade. 

O livro relata que do ano de 1951 para 1952 houve um aumento de 40 para 652 casas, o que representa um acréscimo de quase 1200%. O feito acabou colocando a cidade no topo das cidades turísticas do Sul do Brasil.

Mas o turismo naquela época era colocado em último plano pelas autoridades locais por não ser visto como uma fonte de riqueza. Com a vocação agrícola do município de Camboriú, até então os investimentos e olhos dos Governantes eram todos voltados para o agricultor.

O fenômeno turístico tomou conta de forma tão impressionante e inesperada que não foi à toa que autoridades locais começaram a se movimentar para criar o Distrito da Praia de Camboriú, no ano de 1959.

Foi assim denominada até a sua emancipação no ano de 1964. O Distrito da Praia, como também era conhecido, tornou-se município e a partir desse momento começou a ser pensado também em outro nome para dar uma nova roupagem. 

Buscando um sinônimo para “praia”, optou inicialmente pelo nome “Balneário de Camboriú” e posteriormente “Balneário Camboriú”.

Colonização começou muito antes

Embora tenha sido emancipado em 1964, Balneário Camboriú já tem história para contar há muito antes desse período. 

Tem-se registros de que quando os primeiros homens brancos de origem portuguesa chegaram em Balneário Camboriú, as terras já eram habitadas.

Tais indícios foram comprovados na década de 70, quando Padre João Alfredo Rohr e sua equipe escavaram um sítio arqueológico na Praia de Laranjeiras e encontraram 165 sepultamentos. Assim, conclui-se que as terras de Balneário Camboriú não foram descobertas, somente repovoadas.

De acordo com o IBGE, também existem relatos referentes à colonização desde 1758, com algumas famílias que já moravam na margem esquerda do rio. 

Mas, somente em 1826, o colono Baltazar Pinto Corrêa recebeu do Governo da Província de Santa Catarina uma área de terra para cultivo e moradia, na localidade que hoje se chama Bairro dos Pioneiros.

Também há indícios da presença indígena na região como os Tupi-Guaranis, Carijós e Kaingangs.

Quando historiadores locais mergulharam nas origens da cidade e constataram que a história da cidade vai muito além da data da sua emancipação, um vereador levou o projeto de lei à Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú. 

Em 2019 foi sancionada a lei 4.259, que reconhece o dia 26 de abril de 1849, como data de fundação da cidade, conforme relata o Jornal Página 03.

Primeiros hotéis e casas de Veraneio

Segundo o livro Do Arraial do Bom Sucesso a Balneário Camboriú: mais de 50 anos de história , da autora Mariana Schilickmann, na década de 20 a então Praia de Camboriú era um reduto de pescadores. Na praia havia pouquíssimos moradores e o local mais habitado e desenvolvido era o Bairro da Barra.

A agricultura era de subsistência e a pesca artesanal a principal matriz econômica. Por isso, em 1927, foi fundada a Colônia de Pescadores Z7, uma das primeiras da região.

Nesse período também surgiram as primeiras casas de veraneio, que eram pertencentes aos moradores de Blumenau. Também começou um processo de desenvolvimento de local com os primeiros hotéis.

O Porta História de Balneário Camboriú conta que a primeira hospedaria da Praia de Camboriú como até então era chamada, foi o Strand Hotel, ou “Hotel do Jacó”, inaugurado em 1928 pelo proprietário Jacob Schmitt. 

Em 1934, foi construído um novo empreendimento hoteleiro neste mesmo local, o Hotel Miramar. Aos poucos, a rede hoteleira foi aumentando com o Hotel Silva; a Pensão Alice; Praia Hotel; o Hotel, Sorveteria e Restaurante Benthien, entre outros.

Apesar do movimento hoteleiro ter dado os primeiros passos nos anos 20, foi só na década de 60 que a atividade turística foi impulsionada. 

Um dos marcos da época foi a inauguração do Hotel Marambaia no mesmo ano de emancipação do município, onde o design arrojado da época e o cassino atraíram hóspedes de todo o país.

Com a autonomia do município, foi realizado o planejamento urbano da cidade definindo novas ruas e avenidas, implantado o sistema de abastecimento de água e esgoto. 

Aos poucos, o comércio local foi tomando consistência, com lojas e restaurantes até chegar aos dias de hoje.

Balneário Camboriú hoje

Foi uma longa jornada até Balneário Camboriú se transformar na cidade de hoje. A Capital Catarinense do Turismo como é conhecida tem sua atividade turística sendo constantemente inovada. 

Prova disso é que o município já entrou na rota dos cruzeiros e em sua primeira temporada, a cidade recebeu mais de 81 mil turistas.

O turismo de negócios e eventos também vem sendo um dos grandes investimentos na cidade, onde serão ainda mais impulsionadas com projetos como o Centro de Eventos de Balneário Camboriú, localizado às margens da BR 101 e que dá acesso ao Zoológico Parque Cyro Gevaerd.

Segundo o IBGE, a cidade também tem alcançado bons índices no Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (IDEB), alcançando a 74º e 114º colocação no Estado para os Ensinos Fundamental e Médio, respectivamente.

Além disso, vem se destacando como um das mais inteligentes do país. Em 2019, Balneário Camboriú ocupou a 17º posição na lista geral das cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil. 

O resultado é fruto de um estudo chamado Ranking Connected Smart Cities, que avalia a forma como a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é utilizada a favor do cidadão.

Qualidade de vida é o que não falta

Uma das coisas que mais tem atraído turistas e novos habitantes para a cidade é a qualidade de vida que Balneário Camboriú proporciona. 

Seja no verão, com ar de cidade grande, ou no inverno, conservando traços de cidade do interior, Balneário investe muito na sua infraestrutura e atividades que envolvam a população.

Tal característica se reflete nos números que vem apresentando nos últimos anos e a evolução frente a outros municípios tanto do Estado quanto do país.

Uma dessas estatísticas é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) que passou de 0,777 em 2000 para 0,845 em 2010. Com este resultado, a cidade ocupa a 4ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros. 

O estudo conduzido pelo PNUD e Ipea aponta que a dimensão que mais contribui para o IDHM do município é longevidade, com índice de 0,894. Outro fator que contribui para este resultado é a renda, com índice de 0,854, e educação, com índice de 0,789. 

E por falar em longevidade, ano passado, Balneário Camboriú foi como uma  importante referência no País na implantação das diretrizes previstas na Estratégia Brasil Amigo da Pessoa Idosa

O programa foi criado pelo Ministério da Cidadania e tem o objetivo de incentivar municípios a desenvolverem políticas voltadas para o envelhecimento ativo e saudável da população. 

Na ocasião, Balneário Camboriú foi um dos municípios interessados em adotar tais práticas e melhorar os serviços prestados ao idoso.

A infraestrutura que a cidade oferece também é exemplar. Dados da prefeitura apontam que cerca de 98% das casas contam com água da rede e 92% estão com sistema de esgotamento sanitário em dia. A coleta de lixo ocorre em 100% das cidades.

Curiosidades sobre Balneário Camboriú

Ainda há muita curiosidade envolvendo a história de Balneário Camboriú. Pontos pitorescos da cidade, símbolos e histórias envolvendo o seu nome, entre eles:

Ilha das Cabras:

A Ilha das Cabras é um dos principais cartões postais da cidade, principalmente graças ao fato de o município ter se empenhado para preservá-la como patrimônio ambiental. 

Nas décadas de 1970 e 1980, grupos representando interesses privados tentaram comprá-la e transformá-la em hotel e cassino, mas sem sucesso. Nesse período, a Ilha das Cabras também foi disputada entre o município e a Marinha.

Símbolos municipais

Balneário Camboriú possui como símbolos municipais o Brasão, a Bandeira e o Hino. 

No dia 1 de março de 1970 ocorreu a primeira exibição pública do brasão da cidade, na posse do Prefeito Armando César Ghislandi. Foi hasteada pela primeira vez no dia 07 de setembro de 1970.

A escolha do hino da cidade ocorreu só no ano 2000. Foi realizado um concurso que contou com 48 inscrições. Foi eleita uma comissão julgadora que pré-selecionou dez músicas para a grande final do concurso, que aconteceu no dia 24 de março de 2000.

Origem do nome

A origem do nome Balneário Camboriú é de origem indígena-tupi. 

O Portal IBGE destaca que há várias citações como: Camboriasu em 1779, Cambariguassu em 1797, Camboriguassu em 1816, até chegar a uma referência de Henrique Boiteux como Camborihu, que significa: Rio de muito robalo ou criadouro de robalo, peixe muito comum nesta região.

Balneário Camboriú na Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial marcou a história da cidade e da região. Em Balneário Camboriú, algumas construções de alvenaria foram usadas como base militar durante a Guerra. 

A Colônia de Pescadores, até então funcionando normalmente, foi obrigada a fechar as portas em 1943.

As populações do Vale do Itajaí deixaram de frequentar a beira-mar e houve uma retração neste movimento de desenvolvimento urbano segundo conta Mariana Schlickmann. 

A paralisada no movimento ocorreu nessa época, porque 80% dos proprietários de residências e de quem frequentava Balneário Camboriú eram de origem alemã.

Com o fim da guerra, as famílias moradoras do vale do rio Itajaí voltaram a frequentar o litoral e os veranistas retomaram o hábito de passar o verão na Praia de Camboriú.

Muito mais que uma cidade de litoral

Balneário Camboriú hoje é reflexo de toda uma história que foi lindamente construída em todos esses anos e que vai muito além dos 55 anos de emancipação, como podemos ler até aqui.

Sua característica multicultural, que abriga diversas culturas, faz da cidade um local acolhedor, com profundas raízes, que se destaca não somente em Santa Catarina, mas em todo país.

Com seu nome cada vez mais consolidado no turismo e com a qualidade de vida e segurança que oferece aos que a frequentam, tem se transformado de um simples lugar para passar as férias em uma ótima opção de moradia.

E você? Já conhecia a história de Balneário Camboriú ou se surpreendeu com os fatos apresentados? Não deixe de compartilhar conosco as suas impressões.

 

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